HACKATHON DA EDUCAÇÃO

Como lidar com os desafios da educação pública durante e após a pandemia?

Um Hackathon é uma competição entre equipes multidisciplinares que buscam responder aos desafios propostos pelo evento em um curto espaço de tempo.

 

O Hackathon da Educação tem como objetivo possibilitar a criação de ideias para a melhoria da educação pública em um contexto em que a formação a distância tem se colocado como saída para superar o isolamento imposto pela pandemia; e em que o retorno às atividades implicará em novos desafios. 

 

A dificuldade de implantação dessa formação à distância tem explicitado como a severa desigualdade existente no Brasil se reflete também (e especialmente) no campo da educação, para além dos desafios atuais.

 

Nesse contexto, coloca-se também o desafio de criar e desenvolver estratégias que possam ser aplicadas na eventual retomada parcial, e futuramente, total, das atividades presenciais, aproveitando da situação emergencial vigente para amadurecer possibilidades de transformação para alguns dos desafios crônicos da educação pública brasileira.

 

O projeto pretende unir a criatividade e o conhecimento de diferentes atores da sociedade a fim de encontrar soluções para que a educação, especialmente a pública, não se limite apenas ao ensino acadêmico nesse momento de crise e imediatamente após este, mas que garanta também o desenvolvimento dos aspectos socioemocionais dos estudantes e providencie de maneira sustentável atividades extra acadêmicas, artísticas, suporte psicológico, assistência social e alimentação para essas crianças e jovens, dentre outros elementos.

1ª etapa: a competição 

 

No Hackaton da Educação, estudantes do ensino médio, universitários e hackers se unem em equipes multidisciplinares para responder aos desafios propostos em uma plataforma online, sob a mentoria de professores e profissionais de diversas áreas. 

 

Os grupos são formados a partir do interesse dos participantes e das necessidades específicas de cada desafio.

 

 

2ª etapa - aprimoramento das propostas com mentores

 

As equipes que apresentarem as melhores ideias para a solução de cada subtema  (avaliadas por um grupo de especialistas nos campos em questão) receberão as premiações oferecidas por nossos parceiros e acederão à segunda etapa do projeto. Nela, os mentores se unirão às equipes vencedoras para auxiliá-las a aprimorar suas propostas e adequá-las para implantação efetiva no âmbito público. 

 

 

3ª etapa - apresentação das propostas aos três poderes

 

Assim que finalizadas, as propostas serão encaminhadas de acordo com sua natureza:

  1. Métodos/Dispositivos/ Estratégias pedagógicas passíveis de implantação direta, serão sistematizadas e disponibilizadas a gestores, professores e agentes envolvidos diretamente com a educação pública.

  2. Propostas de alteração ou criação de novas leis serão enviadas a instâncias dos três poderes, com foco especial no legislativo, de modo a promover suas possível implantação. 

  3. Propostas de aplicativos e outras ferramentas tecnológicas serão encaminhadas a possíveis parceiros de desenvolvimento e apresentadas aos gestores públicos como alternativas possíveis. 

 

 

  1. Boas práticas para a educação dos mais vulneráveis

 

 

Quais são as melhores práticas que vem sendo utilizadas, no Brasil e no mundo, e como elas podem inspirar estratégias para: 

    a) oferecer acesso aos conteúdos letivos a estudantes das comunidades mais vulneráveis, incluindo aquelas que não têm acesso à internet.

    b) otimizar as horas de trabalho remoto e presencial das equipes das escolas e aprimorá-las pensando nas especificidades dos diferentes contextos brasileiros.
 

 

Resultados esperados:

As equipes formadas por estudantes do ensino médio, hackers, universitários das áreas de pedagogia, tecnologia da informação, cinema, rádio e televisão, buscarão desenvolver um acervo/repositório de experiências/ boas práticas, organizados em função desses diferentes contextos.

 

Cada grupo será responsável por trabalhar diferentes contextos e seus desafios mais específicos, tais como escolas: sem saneamento básico (50% do total nacional); em que a maior parte dos estudantes não tem acesso à equipamentos eletrônicos (Tv, Computadores) e à internet; em que boa parte dos estudantes trabalha para ajudar nas finanças da família (o que implica em menos tempo a dedicar à escola); dentre outros.

2. Desafios Socioemocionais no contexto da pandemia

 

Quais atividades podem ser priorizadas nas atividades presenciais de modo a acolher e cuidar dos seguintes aspectos socioemocionais dos estudantes: 

a) Suporte psicológico frente aos desafios impostos pela quarentena;

 

b) Assistência social para crianças em possível situação de abuso ou negligência; 

 

c) Alimentação de qualidade. 

 

d) Expressão através de manifestações artísticas

 

Resultados esperados:

As equipes formadas por estudantes do ensino médio, universitários da área de pedagogia, assistência social, psicologia, nutrição, gestão pública, administração, finanças, economia, artes, comunicação, dentre outros, buscarão desenvolver propostas/estratégias/dispositivos pedagógicos que integrem as diferentes dimensões de conhecimento necessárias à superação dos desafios citados, levando em conta as efetivas possibilidades e imensas restrições da grande maioria das escolas. Isto é, propostas que abarquem desde alterações na legislação capazes de instrumentalizar as estratégias; até propostas que sejam de simples (e barata) implantação, para que equipes das escolas possam dar conta desses desafios sem ter de recorrer a recursos ou mão de obra externa, sem depender do legislativo.

3. Desafios crônicos da Educação Pública

 

Quais os desafios crônicos que a experiência do isolamento e do ensino à distância evidenciaram e que poderiam ser solucionados de maneira criativa?

 

a) A ausência de saneamento em 50% das escolas do país implica em precárias condições de higiene e subsequentemente em significativo aumento da demanda pela saúde pública. Seria possível pensar em parcerias entre as instituições de ensino e de saúde pública, ou entre outros agentes públicos, de modo a que se priorize politicamente a oferta de saneamento nas escolas, de modo a minimizar a precariedade dessa situação?

 

b) Muitas crianças e jovens dependem da alimentação fornecida nas escolas para se manterem nutridas. É possível pensar em outras formas de oferecer alimentação para crianças e jovens, não apenas durante o período em que estão na escola? 

 

c) A escola cumpre um importante papel na detecção de situações de abuso e negligência. É possível pensar em outras estratégias de política pública que possa dar conta e oferecer suporte às escolas?

 

d) A escola prioriza, via de regra, o aprendizado de conteúdos acadêmicos. Mas o isolamento escancarou a o imperativo da socialização e das trocas entre pares na manutenção da saúde mental e física das crianças. Será possível imaginar uma escola que dedique mais tempo a aspectos socioemocionais, em médio e longo prazo?

 

Mentores

 

Os mentores de cada desafio serão professores e gestores de escolas públicas, profissionais e pesquisadores das diferentes áreas citadas, alinhados à composição dos grupos, e oferecerão suporte teórico e técnico para o amadurecimento das propostas e a constante verificação de sua viabilidade.


 

 

 

Por que isso é importante?

 

A escola não é responsável apenas pela formação acadêmica dos estudantes. Segundo relatório da UNESCO, é nela que se desenvolvem os 4 principais pilares da educação: aprender a conhecer, a fazer, a conviver e a ser. Mas dado o atual contexto mundial sem precedentes, como é possível garantir que todas essas bases sejam contempladas num cenário de ausência majoritária da convivência interpessoal? 

 

Desde o início do isolamento imposto devido à pandemia de Covid-19, instituições ligadas ao ensino vêm tentando desenvolver estratégias para assegurar a manutenção do processo de aprendizagem de crianças e jovens nesse contexto. Veículos como rádio, televisão e, principalmente, a internet têm sido peças-chave desse remodelamento educacional. Apesar de muitas limitações e percalços, tais recursos têm possibilitado fornecer a parte significativa dos estudantes um ensino remoto focado no aprender a conhecer e, em alguma medida, a fazer. 

 

No caso da educação pública, estão sendo gravadas videoaulas que contemplam o conteúdo teórico, as quais os estudantes acessam via internet ou tv comunitária. No entanto, boa parte dos estudantes não tem acesso à internet e, geralmente, não há qualquer interação entre professores e alunos - ou entre estes e seus pares. No âmbito privado, por sua vez, ainda são garantidos diálogos por meio de conferências ao vivo e do retorno sobre as lições, mas tampouco existem estratégias realmente efetivas para além do aprendizado acadêmico.

 

É importante atentar-se ao fato de que as competências que, segundo a UNESCO, deveriam ser mobilizadas para “aprender a conviver e aprender a ser” não vêm sendo foco das estratégias de ensino atualmente em uso. Também deve ser notado o absentismo de outros papéis fundamentais que a escola cumpre ou tenta cumprir, tais como oferecer alimentação de qualidade, propiciar suporte psicológico e identificar casos de negligência, violência e abuso sexual. 

 

Essas questões tampouco integram as propostas que vêm surgindo para a eventual retomada presencial das instituições de ensino. O que vem se aventando, tanto na educação pública como na privada, é a implantação de um sistema híbrido. Nele, a escola seguiria com seus conteúdos regulares, mas contaria com apenas 35% dos estudantes a cada dia. Dentro de um sistema de rodízio, isso culminaria numa frequência presencial dos alunos de, em média, 6 a 7 dias por mês - em oposição aos 22 dias habituais.

 

No domínio da educação privada, está em pauta a implementação de câmeras nas salas de aula. Desta forma, parte dos estudantes poderia acompanhar o curso presencialmente, enquanto outros assistiriam ao conteúdo ao vivo pela internet, enviando dúvidas por chats ou mensagens. Já na esfera pública, ainda inexiste uma política clara sobre como seria possível realizar essa adaptação, uma vez que a implantação de câmeras e de sistemas de transmissão seria possivelmente ineficiente e, na larga escala necessária, totalmente proibitiva financeiramente. Isso faz com que a adoção de esquematizações rotativas dos alunos, nesse caso, implique na insuficiência de dias de curso para a manutenção dos objetivos letivos; e na tentativa de seguir dando conta de tais objetivos, na ausência de estratégias eficazes para superar os desafios socioemocionais.

 

Além disso, mesmo depois do retorno total às atividades presenciais (seja por conta de uma vacina ou pelo alcance da “imunidade de rebanho”), nos parece impossível ignorar as profundas desigualdades escancaradas pelo contexto atual; e imperativo repensar o papel e as condições da escola pública, professores e gestores, oferecendo novas possibilidades a todos e todas. 

 

O Hackaton da Educação tem o compromisso de levar em consideração esses e tantos outros desafios, com o objetivo de possibilitar a criação de propostas que garantam não só a eficácia do ensino acadêmico, mas também uma educação que contemple efetivamente seus quatro pilares. Afinal, em um contexto onde vidas têm se resumido a números, é de extrema relevância entender a individualidade dos desafios de cada estudante, em especial os mais vulneráveis econômica e socialmente. Prover na escola um ambiente seguro de apoio e cuidado com o desenvolvimento socioemocional de crianças e jovens, além de alternativas ao foco governamental quase exclusivo aos conteúdos acadêmicos, nunca foi tão importante.


 

Um coletivo de educadores, pesquisadores e gestores, de escolas e universidades públicas e privadas, e de profissionais de diversas áreas, unidos por uma mesma preocupação: como poderá a educação pública dar conta de superar os desafios colocados pela pandemia e, se possível, superar outros desafios ainda mais arraigados.

 

A empresa proponente, nesse momento, é a Ouroboros Cinema e Educação, empresa paulistana com 14 anos de experiência em projetos culturais e educacionais. 

 

No entanto, consideramos que o ideal seria que o projeto fosse abraçado por uma instituição da sociedade civil com experiência no campo da educação e que tenha recursos humanos/logísticos para acolher um projeto dessa dimensão e fazer as potenciais e possíveis parcerias que ele se propõe a ter.


 

Parceria institucional

  • Se você atua em ou dirige uma instituição ligada ao campo da educação e acredita que ela possa vir a ser uma parceira ou até mesmo a proponente do projeto frente a instituições públicas e privadas, sua ajuda será muito bem-vinda. 

 

Força de trabalho

  • Participando, oficial ou extraoficialmente, do Conselho de Estruturação e assim ajudando a amadurecer o projeto, aprofundando as questões e desafios propostos. 

  • Ajudando, nessa etapa de concepção, com o desenvolvimento do orçamento, design, programação do site, etc.

  • Alinhavando ou ajudando a equipe do projeto a alinhavar parcerias institucionais, especialmente com escolas e universidades públicas e privadas, ONGs, Fundações e outros atores da sociedade civil.

  • Indicando pessoas/empresas que possam ajudar, tanto no financiamento do projeto como na oferta de prêmios aos vencedores.

 

Recursos-semente (seedmoney)

  • A equipe que está levantando essa primeira etapa do projeto utilizou até agora cerca de 7 mil reais em recursos  próprios. Mas ainda são necessários recursos-semente (seedmoney) para terminar sua estruturação a ponto de apresentá-lo a possíveis patrocinadores. Se você puder contribuir, mesmo que com valores simbólicos, pode ajudar a tornar o projeto possível.

 

Patrocínio

  • Devido a urgência da realização do projeto, bem como da escassez de oportunidades concretas, não será  possível inscrevê-lo em muitos editais de apoio a educação - sejam eles públicos ou privados. Dessa forma estamos em busca de recursos possíveis de serem liberados em um curto espaço de tempo, seja junto a instituições/fundações ou aos departamentos de marketing das empresas.Se você trabalha em uma empresa ou instituição que possa vir a patrocinar o evento; ou conhecer alguém que possa ajudar a fazer tais pontes, seria uma ajuda muito bem vinda.

 

Fornecimento de prêmios

  • Um Hackathon é um desafio com grupos vencedores, e para estes é muito indicado o fornecimento de prêmios. Se você ou sua empresa/instituição tiver condições de oferecer premiações para os vencedores, isso seria muito bem-vindo.

Moira Toledo

email: toledo.moira@gmail.com

whatsapp: (11) 94117-6566